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Evidências científicas apontam que o contato com espaços verdes contribui com a promoção de saúde mental dos indivíduos. Pensando nisso, o projeto Jardins do Borges – financiamento colaborativo promovido na UFMG para melhoria de espaços do Hospital Borges da Costa – poderá aprimorar o tratamento e promover a saúde de crianças, adultos e idosos de Belo Horizonte.

“A relação entre a urbanicidade (cidades grandes, trânsito, poluição do ar e sonora, etc.) com um maior risco de desenvolver transtornos mentais está bem estabelecida e, por outro lado, vários estudos apontam que espaços verdes aumentam o bem-estar e promovem a saúde mental”, explica o professor Bernardo Viana, do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG. “O impacto de espaços verdes ocorre mesmo dentro da cidade, relacionando-se com uma menor prevalência de transtornos mentais em uma área onde estes espaços estão disponíveis”, continua.

Em relação a espaços terapêuticos, ambientes arborizados têm apresentado resultados positivos no tratamento de crianças e adolescentes, assim como com pessoas com demências. “Promover o desenvolvimento de parques e jardins, assim como ações terapêuticas em espaços abertos com contato com a natureza, podem melhorar o bem-estar e promover a saúde mental”, garante o professor.

Ele explica que áreas verdes dentro do hospital, como na proposta do Jardins do Borges, quebram o estigma de local de doença e auxiliam na percepção de que aquele pode ser um lugar agradável. No caso das crianças, também há a percepção de que é um espaço adequado para brincar e ser criança.

Campanha Jardins do Borges
Os espaços ao fundo do hospital serão telados e receberão melhorias nos pisos, jardins, iluminação, além de instalação de playground de atividades infantis, labirinto sensorial (feito para estimular os sentidos das crianças) e mobiliário específico para alocar materiais de trabalho usados nas terapias, como equipamentos de fisioterapia e terapia ocupacional.

No Hospital Borges da Costa, algumas atividades já foram implementadas na área externa do serviço de psiquiatria, em ambiente aberto e com presença de árvores. É o caso de terapias em grupo – como o de cessação de tabagismo -, a arteterapia para idosos com depressão, a musicoterapia para pessoas com esquizofrenia e atividades de psicoeducação. Com as melhorias propostas, isso pode se intensificar, englobando também atividades terapêuticas de relaxamento e concentração (como o Mindfulness, Tai Chi Chuan e Lian Gong); assistidas por animais (como a utilização de cães em grupos de pacientes com autismo e demências), entre outras.

No caso de crianças com autismo, o estímulo sensorial do jardim pode ser terapêutico e auxiliar na superação de restrições relacionadas às texturas. Outro ponto positivo para crianças é o potencial de integração de diferentes ambulatórios de especialidades do Hospital, o que permitiria a interação dos pacientes em tratamento de diversas doenças. O ambiente projetado também beneficia adultos, com melhorias terapêuticas e de mobilidade.

Qualquer pessoa poderá doar pela plataforma Benfeitoria. O projeto foi aberto dia 18 de novembro. As doações estão ligadas a recompensas, entregues caso se alcance o valor estabelecido. Quem contribuir poderá receber de ecobag e camiseta até convites para a Semana de Inovação e jantar especial do Chef Leo Paixão, no restaurante Glouton. Caso o valor de doações necessárias para execução do projeto não seja atingido, os doadores recebem de volta o investimento realizado.

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